Os erros de arrumação que danificam as suas camisolas
Antes de falar de métodos, é preciso compreender por que razão guardar mal as camisolas as destrói. A grande maioria dos danos visíveis em camisolas bem lavadas não provém da lavagem em si, mas das semanas ou meses passados em más condições de armazenamento.
A razão por detrás de cada uma destas regras é simples. O poliéster, de que são feitas praticamente todas as camisolas de futebol modernas, é uma fibra sintética termossensível: reage mal ao calor, à humidade prolongada e a compressões repetidas. A estampagem termocolada, por sua vez, desgasta-se com a fricção e a pressão. Estes dois materiais exigem cuidados no armazenamento para durarem.
Os três métodos consoante a utilização
O método mais prático para camisolas que usa regularmente. Dobre-as em terços na largura e depois ao meio ou em três partes na altura. Guarde-as de pé na gaveta, como livros: cada camisola fica visível e acessível, e nunca precisa de retirar todas para encontrar aquela que procura. Ideal para uma coleção de 5 a 15 camisolas usadas no dia a dia.
O método recomendado para camisolas de que gosta particularmente. Utilize um cabide largo de plástico ou madeira, com ombros arredondados. Nunca use um cabide fino de arame. Pendure pelas zonas dos ombros, nunca pelo decote. Deixe espaço entre as camisolas no roupeiro para que o tecido respire. É o método mais suave para o tecido e para a estampagem.
Para camisolas valiosas que não usa ou usa raramente. Envolva-as em papel de seda sem ácido, guarde-as numa caixa de cartão sem ácido fechada, ao abrigo da luz e da humidade. Nunca utilize um saco de plástico, que retém a humidade residual.
O método que transforma a camisola num objeto decorativo. Uma camisola de coleção, autografada ou carregada de significado, pode ser emoldurada sob vidro com proteção UV e exposta. Vantagem: fica sempre visível. Desvantagem: se o vidro não tiver proteção UV, as cores degradam-se com a luz. Ideal para camisolas às quais quer prestar homenagem.
O esquema correto para dobrar, passo a passo
Dobrar é o passo que a maioria das pessoas faz mal sem saber. Dobrar incorretamente centenas de vezes cria vincos permanentes no tecido de poliéster, que acabam por se tornar visíveis com o desgaste. Eis o método em quatro passos.
Detalhe de cada passo
- Passo 1: Estenda a camisola sobre uma superfície limpa, com o lado interior visível (do avesso). Esta posição protege a estampagem de qualquer contacto direto com a superfície de trabalho.
- Passo 2: Dobre cada manga em direção ao centro da camisola, deixando-as estendidas sobre a parte de trás da camisola. As cavas devem ficar alinhadas com as extremidades laterais.
- Passo 3: Dobre a camisola em três no sentido da largura, da esquerda para o centro e depois da direita para o centro. Obterá um retângulo vertical regular.
- Passo 4: Dobre uma ou duas vezes no sentido do comprimento, consoante a profundidade da sua gaveta. Guarde-a depois na vertical, com a borda visível, como um livro numa prateleira.
Luz, humidade, calor: os três inimigos das suas camisolas
A solução para estes seis inimigos resume-se numa frase: um armário fechado, numa divisão seca e ventilada, protegido da luz natural e direta, entre 15 e 22 °C. É o ambiente ideal para qualquer coleção de camisolas, quer contenha três equipamentos, quer trezentos.
Arrumação e estampado: as regras específicas
O estampado termocolado é a parte mais frágil de uma camisola de futebol moderna. Desgasta-se por fricção, pressão prolongada e calor. O seu modo de arrumação deve, por isso, respeitar regras específicas que o tecido, por si só, não exige.
Camisolas de coleção e autografadas: regras especiais
Uma camisola autografada ou com elevado valor sentimental ou financeiro requer cuidados radicalmente diferentes dos aplicados às suas camisolas do dia a dia. Já não se trata apenas de a manter limpa: trata-se de preservar um objeto cujo valor depende do seu estado original.
A conservação estendida numa caixa
O método recomendado pelos conservadores de museus e pelos colecionadores profissionais de têxteis: dobre a camisola utilizando papel de seda sem ácido, para evitar qualquer contacto direto entre o tecido e o cartão, e guarde-a numa caixa fechada. O papel de seda sem ácido (disponível em papelarias especializadas) evita reações químicas entre os corantes e o cartão comum, que contém ácido. Este método é adequado para uma conservação superior a 10 anos sem degradação visível.
A assinatura: que cuidados especiais requer?
Uma assinatura feita com marcador permanente Sharpie pode resistir a décadas de armazenamento se a camisola for mantida protegida da luz e da humidade. Uma assinatura feita com esferográfica ou caneta de gel é muito mais frágil: pode desbotar ou borrar num ambiente húmido. Em ambos os casos, nunca dobre a camisola sobre a assinatura. A dobra cria uma linha de tensão mecânica que acaba por danificar a tinta. Prefira conservá-la estendida ou emoldurada.
A moldura com proteção UV
O emolduramento é a solução mais estética para uma camisola autografada ou de colecionador que queira expor. Opte imperativamente por um vidro com proteção anti-UV, disponível em lojas profissionais de molduras. Sem esta proteção, a exposição à luz, mesmo indireta, é suficiente para desbotar as cores ao fim de alguns anos. Alguns profissionais de molduras oferecem kits especiais para camisolas desportivas, com pinos discretos que permitem valorizar o número e o nome sem perfurar o tecido.
Gerir uma grande coleção
Se coleciona camisolas em quantidade superior a uma dezena, a organização física torna-se indispensável para encontrar rapidamente o que procura sem ter de mexer em tudo.
A arrumação por categoria
Organize a sua coleção por uma categoria lógica, de acordo com o seu perfil: por clube, por época, por seleção nacional, por fabricante do equipamento ou por período histórico. Independentemente da lógica escolhida, o importante é que seja coerente e que consiga navegar pela sua coleção em menos de 30 segundos.
O inventário fotográfico
Para os colecionadores sérios, um inventário fotográfico de cada camisola é muito valioso. Fotografe a frente, as costas, os detalhes da estampagem e a etiqueta interior. Registe a época, o clube, o fabricante do equipamento e o estado da camisola. Este inventário permite acompanhar a evolução do estado de cada peça ao longo dos anos e revela-se indispensável em caso de seguro ou revenda.
As soluções de armazenamento físico
Para uma coleção de 15 a 50 camisolas, as soluções mais práticas são os armários com portas de correr opacas (que as protegem da luz), as caixas de arrumação empilháveis de plástico opaco (para as peças de valor) ou os roupeiros compridos com cabides largos e espaçados (para uma consulta fácil no dia a dia). Acima das 50 camisolas, deve considerar um espaço de armazenamento dedicado, com controlo da humidade.
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